Sei o que deve parecer quando eu estou em um ponto de ônibus as seis da manhã, esperando finalmente chegar em casa e poder me jogar na minha cama. Pior que isso, devo parecer uma daquelas garotas sozinhas e estranhas, com meus cabelos desgrenhados, a roupa de festa não combinando com o tênis, o salto alto já nas mãos porque os pés não aguentam mais. Ou talvez eu pareça uma louca passando frio na madrugada, quando poderia estar cheia de blusas, encolhida no meu sofá, tomando um chá de framboesa quente.
A motorista do ônibus revelou em um olhar pensar tudo isso sobre mim. Aquele olhar de piedade que eu não precisava ver. Bom, eu tinha mais meia hora de ônibus até chegar em casa, o que realmente me dava muito tempo pra pensar. Isso não é realmente bom, levando em conta o tipo de coisas que eu tenho pensado ultimamente. Comecei a imaginar por que as pessoas ainda se dão ao trabalho de sair de casa, de ir a festas sempre iguais e fixar sorrisos com laquê a noite inteira. Por que eu ainda me dou a esse trabalho, se no fim eu não consigo mesmo me divertir.
Maio 25, 2009
Desfestando.
Abril 18, 2009
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Acho que eu estou ficando velha. Minhas pernas doem como se eu tivesse levado alguns bons chutes, minhas costas reclamam o tempo todo, minhas articulações andam meio travadas e meu joelho… esse não tem mais jeito. Bom, pelo menos a visão ainda está ótima. O incrível é que apesar dessas dores naturais em senhoras de setenta anos, eu vou fazer apenas vinte. Duas décadas. Isso me faz parar pra pensar que provavelmente eu ainda não fiz nem metade do que gostaria de ter feito. Não me tornei uma pessoa melhor, não evolui em muita coisa e não consegui ser alguém especial.
É bem verdade que eu já realizei alguns sonhos, e não posso reclamar da minha vida. Porém, é difícil pensar nessas coisas boas quando eu vejo um futuro tão incerto à minha frente. Não estou feliz com a faculdade, logo eu, que sempre me realizo com coisas tão pequenas. Não consigo encontrar meu lugar, não consigo me dar bem em nada. Não sei mais como agir, o quefazer, que rumo tomar e pra onde ir. Pra dizer a verdade, estou desaprendendo até como sorrir.
Às vezes tenho lapsos de alegria, e então tudo parece mais simples. Nessas horas eu penso que estou complicando demais a minha vida, e que eu deveria simplesmente pegar mais leve. Mas depois eu vejo que não é bem assim. O que eu tenho tentado fazer é facilitar demais, mas a vida é extremamente difícil. Então lágrimas surgem, e voltam de onde vieram, porque eu tenho evitado deixá-las rolar. Um sorriso falso vem junto, pra tentar convencer.
Não digo que tudo seja ruim. Superei muitas coisas esse ano que me tornaram uma pessoa mais sossegada. Deixei pra trás coisas e pessoas que só me faziam mal, e que não me traziam absolutamente nada de bom, a não ser dias de choro. É fácil esquecer quando você bota na cabeça que é isso que quer fazer. Isso me alivia, ver como eu resolvi o que iria fazer e consegui atingir meu objetivo. Até me traz esperança de conseguir fazer isso em todos os aspectos da minha vida. Mas aí já se torna mais complicado, porque não se pode ter sucesso em tudo, certo?
Seja como for, não se pode evitar certas coisas. Eu tenho tentado evitar as tristezas, as decepções, mas ao mesmo tempo acabo perdendo os bons momentos e o que me faria feliz. Aliás, parece ser um dom meu, perder oportunidades de coisas que me trariam felicidade, nem que fosse por alguns minutos.
Afinal, pra quem já está na merda, dois minutos de alegria valem ouro.
Março 25, 2009
Quando nem mesmo as estrelas ajudam…
Hoje eu deitei num colchão estendido na grama aqui de casa e olhei pro céu. Não uma olhadinha rápida, daquelas que todo mundo dá todos os dias; fiquei uma hora, talvez até mais, hipnotizada pela fascinante imensidão negra acima de mim, com umas poucos estrelas aparecendo, como se tivessem sido coladas ao acaso.
E então eu comecei a pensar em como minha vida é uma bagunça sem fim. Cinco minutos antes de deitar nesse colchão eu estava rindo com um grupo de pessoas divertidas, e de repente a diversão acabou, pelo menos pra mim. Assim, do nada. O que mais me afligiu então, foi não saber sequer se a alegria dos momentos anteriores era real ou s´fachada, como todo o resto.
Aquelas pontinhos luminosos no céu, mesmo que poucos, costumam dar um pouco de vida às minhas noites. Mas dessa vez nem isso adiantou. Não sei se estou só cansada, esgotada de tudo, ou se a situação está tão crítica que eu nem ao menos me interesso mais pelo que antes me fazia tão bem.
É verdade que muita coisa mudou, tanto no exterior quanto dentro de mim, mas eu não imaginei que fosse tanto assim.
E então, quando um baita amigo deitou do meu lado, perguntou o que se passava, e eu não consegui responder, eu percebi que o meu eu antigo está morrendo. O pior de tudo é que eu nem ao menos sei se quero que ele morra. Mas talvez seja tarde demais pra salvá-lo; há casos em que até mesmo a medicina avançada diz “sinto muito”.
O que me resta? Esperar pelo que vai acontecer ou levantar e tentar ensinar minha voz a falar sobre mim?
Tenho impressão que não posso mais contar com uma ou duas estrelas pra trazer brilho ao meu coração.
Fevereiro 23, 2009
Bolha das ilusões.
Imagine uma bolha, daquelas bem bonitas que se formam quando uma criança brinca com detergente. Essa bolha transparente, com apenas alguns reflexos coloridos, vai voando até que alguém a estoure. E pronto, acaba aí. Sem preocupações, sem medos, sem nada. Só uma existência leve e bonita de curta duração.
Eu tenho me sentido como se vivesse dentro de uma bolha. Só que a minha não é transparente, e muito menos bonita. E ela também não explode de uma hora pra outra, porque eu tenho esperado esse momento há muito tempo e ele nunca chega. Minha bolha é negra, mas é o negro de um abismo, e não de um céu escuro onde talvez estrelas possam surgir. Minha bolha é feita de alguma material muito resistente; sei disso porque todas as pessoas que tentaram estourá-la pra me ajudar não conseguiram. O mais triste é que essas pessoas vêm e vão, elas me trazem alguma esperança, elas limpam um pequeno pedacinho da bolha por onde eu as enxergue e sorriem pra mim, contam histórias, cantam músicas alegres; há momentos em que eu até mesmo posso sentir o toque de uma ou outra pessoa, mas isso é muito raro… ainda bem, porque essas são as mais árduas de esquecer quando a escuridão total volta. Sim, porque no fim somos sempre eu e a bolha. No fim, nenhuma dessas pessoas fica. É como se esse alguém do lado de fora de repente percebesse como não vale a pena perder seu tempo comigo, porque afinal, eu não vou mesmo poder sair dali. Então eu fecho os olhos e num suspiro tudo some, e eu volto pro negro abismo da minha bolha.
Aí começa a doer. O ser maligno que habita as paredes da bolha começa a soltar pequenas lanças que me atingem, já que eu não tenho pra onde correr, e causam dor, tristeza, angústia e desespero. É inevitável, sempre acontece e eu desisti de tentar evitar. Ao mesmo tempo, a bolha não extingue minhas lembranças. Isso é bom e ruim, já que desse jeito é impossível esquecer até mesmo quem partiu sem mais nem menos, e causou a maior dor de todas as dores. Pra piorar, eu tenho um cinema privado aqui, e a bolha começa a repassar tudo que me fez feliz e cria um sentimento de esperança dentro do meu peito. Uma ilusão de algo surreal, algo que nunca será verdade. E eu tento agarrar essas imagens pra aquietar meu coração, porque de tão boas que foram, eu me contentaria em viver só com uma filmagem careta que nunca fosse embora. Mas eu não posso, porque cada vez que eu tento chegar perto dessa tela onde está passando o rosto sorridente de alguém especial, a bolha apaga tudo, como um recado dizendo “não tente chegar perto, isso não é mais a sua vida”.
Houve um tempo em que eu tentava loucamente rasgar as paredes desse “lugar” que me torna escrava dos meus sentimentos, mas agora eu já não tenho mais forças pra isso. Pensando bem, eu deveria pensar num nome pra essa minha eterna prisão, já que pelo visto ninguém nunca vai ficar ao meu lado tempo suficiente pra que eu consiga sair daqui. Talvez ela possa se chamar Solidão.
Fevereiro 22, 2009
Aquela antiga indecisão.
Hoje eu descobri que algumas portas são difíceis de fechar. Seria mais fácil se fosse só girar a chave e jogá-la fora, colocar um ponto final e sair andando, passo a passo, sem nunca olhar pra trás e pensar no que ficou do outro lado. Eu já fiz isso várias vezes, mas nesta última vez não consegui, como se existisse uma pedra invisível atrapalhando. E todo mundo sabe que não se deve dar às costas a uma porta aberta. Por isso eu estou aqui, parada, atordoada, sem saber o que fazer. Não posso entrar porque tudo ali ainda está vivo demais em mim; não posso seguir em frente porque cada passo seria um erro; não posso ficar estática, porque não há nada pior do que a indecisão.
Agora eu me pergunto porque é tão difícil simplesmente puxar essa fechadura, como se a porta fosse de metal e eu fosse o ímã. Ignorá-la e ir embora seria como matar pedaços de mim a cada trecho andado, e eu definitivamente me recuso a morrer por ter abandonado algo. Fico imaginando minhas poucas possibilidades, já que partir não é uma delas. Eu poderia tentar voltar e sentir toda a dor que existe ali de uma vez só, mas ainda assim tentando ficar onde eu quero estar. Ou então eu poderia ficar parada na frente dessa porta eternamente, vendo tudo acontecer na minha frente, sem fazer nada que interfira para o bem ou para o mal. Mas toda a minha vida tem sido assim, como se eu fosse só a espectadora de um filme trágico se desenrolando às minhas vistas.
Cada minuto de angústia, cada pensamento ruim, cada falta de coragem construiu a minha personalidade, e agora eu preciso escolher entre ela e a minha felicidade. E se com a minha personalidade eu tenho sido infeliz nos 19 anos em que fomos companheiras inseparáveis, talvez seja hora de abrir uma segunda porta e dizer “você vai, eu fico”.
Voltando a mim, eu ainda tenho essa porta aberta na minha frente. Por um tempo, provavelmente longo, eu ainda vou ficar aqui, tentando decidir o que fazer. O problema é decifrar: se essa porta for dupla, será que o lado de lá já está fechado? Porque se algumas portas são difíceis de fechar, outras são impossíveis de abrir.
Bloco do Eu sozinho.
Não tenho mais dedos suficientes pra contar quantas vezes eu quis ser totalmente diferente do que eu sou e do que sempre fui. E o que eu sou hoje? Uma pessoa – porque é assim que definem os seres humanos na sociedade – com dores no joelho e no coração. Conforta saber que pelo menos pro joelho há remédio; já o coração… esse já doeu tanto que acostumou, agora é como se ele mesmo providenciasse as fisgadinhas por hobby.
Antigamente eu pensava que ficaria melhor conversando com as pessoas que eu amo e confesso que muitas vezes isso funcionava. Mas de repente eu cheguei num ponto em que falar e ouvir só causava ainda mais dor. Então eu resolvi mudar, e guardar cada pedacinho de cada sentimento no meu coração. Ora, é um cálculo fácil: antes eu arquivava apenas 25% das minhas dores, o resto fugia junto com as palavras para o mundo. Agora são 99%. O 1% restante está perdido em algum copo de whisky ou de licor. Sendo assim, a dor é muito maior, e eu diria até muito mais agoniante. Mas pelo menos agora eu não tenho ninguém tentando me fazer desistir dos meus sonhos. Se isso acontecer, vai ser por livre e espontânea vontade. Agora ninguém mais joga suas experiência erradas dentro das minhas. Isso é reconfortante.
Porém, como tudo na vida, há sempre o reverso da medalha. As vezes dói demais não poder sentar com um amigo e dizer “por favor, me empresta seu ombro?”, ou mesmo não poder explicar a razão das lágrimas incovenientes que não aguentam o tempo suficiente pra que eu chegue em casa. Me sinto estranhamente isolada do mundo, e com um sentimento terrível de que isso vai afastar as pessoas de mim. Não quero ser uma pedra. Pedras não choram, e no momento esse é o meu único alívio. Me sinto sozinha, mesmo no meio de pessoas que eu amo.
Isso me sufoca. E eu não sei o que fazer.
Fevereiro 15, 2009
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Sabe quando você tem tudo, mas falta o principal? Eu não posso reclamar do que tenho vivido, sonhos que eu achei que nunca iria realizar, experiências pra guardar a vida inteira, bons amigos, casa nova… Mas o que fazer com aquela tristeza persistente que nunca dorme?
Essa dor de estar sempre na “quase” felicidade completa. Me sinto ingrata, eu não deveria nem ter o direito de me sentir assim, depois de tantas coisas fantásticas que tem me acontecido.
Mas não adianta. Dói pensar que eu não tenho coragem pra correr atrás do que me falta.
Janeiro 19, 2009
Sabe-se lá o que.
Hoje, enquanto eu andava na chuva voltando pra minha nova casa, uma explosão de cores inundou minha mente; um positivismo que raramente se encaixa com minha real crença. Logo depois tudo ficou claro, tudo que eu deveria fazer, quais caminhos seguir, tudo. Branco como uma nuvem.
E foi então que eu me lembrei que até a nuvem mais límpida e fofa, mais parecida com algodão doce que possa existir no céu ou com o formato mais engraçado que enfeita os dias ensolarados, até mesmo ESSA nuvem pode começar a ficar cinzenta, e de repente soltar seus pingos de chuva. Ou pode até virar uma tempestade.
Lentamente o branco da minha mente foi sendo substituído pelo cinza mais sombrio, até virar escuridão total. A sorte é que eu já aprendi a enxergar sem luz alguma. Não é de admirar; já que todos os meus dias têm sido iguais, eu tive que me acostumar.
Janeiro 9, 2009
Puxando angústia.

É bom conhecer novas pessoas, principalmente quando estas conseguem trazer um pouco de risos pra sua vida. O problema é que numa cabeça como a minha, que a cada piscar de olhos tem mais de vinte pensamentos que se confrontam, há sempre um outro lado. Sentada numa mesa de um barzinho à beira-mar, cercada por pessoas legais que há cinco minutos eu não sabia nem como se chamavam, eu dei gargalhadas daquelas de jogar a cabeça pra trás. Mas quando a cabeça voltou, o sorriso ficou lá em cima.
Como é possível que um momento de felicidade nunca dure mais que cinco minutos? É aí que eu tenho certeza que o problema é comigo mesmo, porque quando eu já parei de sorrir, todo mundo ainda está com aquele singelo traço de alegria no rosto. E eu me sinto vazia. Tem sempre algo faltando, como uma página arrancada de um livro, onde estavam escritas informações essenciais. Acho que o capítulo sobre como se manter feliz e deixar pra trás o resto foi arrancado da minha vida. E então, como eu faço pra encontrar páginas que podem estar em qualquer lugar? Quem sabe no Brasil, quem sabe no Japão, no fundo do mar, ou embaixo de um monte de areia. Ou quem sabe elas só estejam escondidas em algum lugar, mas se for isso, quero dizer que cansei da brincadeira e exijo minhas páginas de volta, ou vou chamar meu advogado. (Tudo bem, eu não tenho um, mas sempre achei legal dizer isso).
O fato é que eu quero escrever minha história nas folhas que ainda estão brancas de uma maneira diferente da que eu estou vivendo agora. Mas eu não posso ignorar esse poço que se criou em mim, e que guarda o vazio que eu nunca aprendi a preencher. Até sei o que adiantaria, mas nem tudo está ao alcance das minhas mãos. Aliás, nunca esteve.
Sei que todo mundo pode ficar analisando erros e tentando justificá-los para o resto da vida, mas não é isso que eu quero pra mim. Só que também não espero largar tudo num chão imundo de um lugar abandonado, onde minhas memórias sejam esquecidas.
Tem que haver um meio termo. E eu preciso descobrir qual é.
Dezembro 13, 2008
O que diabos eu estou escrevendo?
Preciso ouvir que estou errada, que preciso pensar positivo, que minha vida não é a merda que parece. Não quero me afundar em copos de bebidas baratas, que não suprem a falta que certas pessoas me fazem. Aliás, tenho tentado descobrir meios de suprir ausências, e percebi que algumas gostam mesmo é de ocupar todo o espaço que puderem, pra que nada consiga afastá-las.
Preciso de alguém que me dê uns tapas no rosto e me diga pra subir, porque o fundo do poço ainda não chegou. Mais que isso, preciso desesperadamente, com todas as minhas forças, sair da instabilidade emocional em que me encontro, acabar com essas lágrimas bestas que não me levam a lugar nenhum. O problema é que nada me leva a algum lugar. Então pra que eu vou mudar de ato?
Talvez o que eu realmente preciso é jogar TUDO no lixo, independente de quanta dor transborde, e esperar. Esperar o tempo passar, esperar os choques que virão com cenas que eu não quero ver, esperar. E não mais viver, só existir. Não contar nada pra ninguém, deixar todo mundo pensar que eu estou ótima e que nada faz diferença. Porque realmente não tem feito diferença conversar com as pessoas. Até minha gatinha me entende mais.