Meu nome é Josiana. Tenho vinte anos. E acabei de perder quase tudo que importava na minha vida. Me restam poucas coisas agora, poucas pessoas. Exatamente onde eu estou, não há ninguém com quem eu possa trocar uma palavra. O pior disso tudo, é saber que foi escolha minha. Que eu simplesmente não aguentava mais viver sem um objetivo, acordando toda manhã e pensando “por que eu tenho que levantar dessa cama?”; pensando que tudo era inútil, que eu andava pra lá e pra cá sem rumo, sem direção e sem planos a longo prazo pra minha vida. Analisando esse lado, foi fácil decidir, perceber que era hora de uma mudança, que a faculdade não era a ideal pra mim. Ok, tempo de seguir em frente, escolher outra opção, e correr atrás dela.
E então veio a tormenta. O medo de ir embora, de virar as costas pra um mundo que era seu, de soltar tudo que foi vivido ao vento, e simplesmente esperar que nada se perca. O pesar do arrependimento, a dor do adeus. Ninguém idealiza o quanto dói, o quanto machuca dizer adeus à pessoas que você ama, até que precise fazer isso. E muitas vezes você só quantifica o amor suficientemente justo quanto tem de partir.
Eu tive de partir. Tive de olhar nos olhos das pessoas que alegravam meus dias, dos irmãos que eu criei, e dizer “tchau”. Tive de arrumar minhas malas e ir para “casa” sozinha, porque nessas situações, ninguém vai com você. A caminhada é longa e solitária, cheia de lágrimas de saudade e desespero. E então eu percebi de verdade, como eu deixei que laços se formassem entre mim e algumas pessoas, e como elas tomaram conta do meu coração. E a realidade chegou, batendo com uma marreta no meu peito, me mostrando que quanto maior o amor, mais doloroso é o adeus. Deixar as pessoas que você ama é como quebrar seu coração em mil pedaços, como se ele fosse de vidro. É como ter espinhos em cada centímetro do seu órgão vital, e nunca conseguir retirá-los. Dói. Dói muito.
E junto com toda essa dor de partir, vem a dor do medo de perder. De que o seu amor pelos seus amigos seja muito maior que o deles por você, e que, assim, você seja esquecido. Que daqui a um tempo você não passe de um estranho para pessoas com quem antes você contruiu uma história.
Esse medo não vai passar, essa voz da dor e da saudade não vai calar. Mas tudo bem, porque são pessoas que valem a pena qualquer sentimento como esses.
A vocês, meus amigos, que tantas vezes me surpreenderam, que fizeram de pequenos momentos os melhores dos quais eu me recordarei para sempre, que fumaram arguilé, tomaram tererê, assistiram jogos do Corinthians comigo, mesmo não sendo corinthianos, que dedicaram seu tempo comigo e aguentaram minhas chatices – meu maior amor, minha maior saudade, e meu maior obrigado por contruírem os pilares do meu mundo e os laços da minha vida.
Eu parto sozinha, com tristeza no peito, mas com vocês no coração pela eternidade. E nada nem ninguém vai conseguir arrancar isso de mim, NUNCA.
