Não tenho mais dedos suficientes pra contar quantas vezes eu quis ser totalmente diferente do que eu sou e do que sempre fui. E o que eu sou hoje? Uma pessoa – porque é assim que definem os seres humanos na sociedade – com dores no joelho e no coração. Conforta saber que pelo menos pro joelho há remédio; já o coração… esse já doeu tanto que acostumou, agora é como se ele mesmo providenciasse as fisgadinhas por hobby.
Antigamente eu pensava que ficaria melhor conversando com as pessoas que eu amo e confesso que muitas vezes isso funcionava. Mas de repente eu cheguei num ponto em que falar e ouvir só causava ainda mais dor. Então eu resolvi mudar, e guardar cada pedacinho de cada sentimento no meu coração. Ora, é um cálculo fácil: antes eu arquivava apenas 25% das minhas dores, o resto fugia junto com as palavras para o mundo. Agora são 99%. O 1% restante está perdido em algum copo de whisky ou de licor. Sendo assim, a dor é muito maior, e eu diria até muito mais agoniante. Mas pelo menos agora eu não tenho ninguém tentando me fazer desistir dos meus sonhos. Se isso acontecer, vai ser por livre e espontânea vontade. Agora ninguém mais joga suas experiência erradas dentro das minhas. Isso é reconfortante.
Porém, como tudo na vida, há sempre o reverso da medalha. As vezes dói demais não poder sentar com um amigo e dizer “por favor, me empresta seu ombro?”, ou mesmo não poder explicar a razão das lágrimas incovenientes que não aguentam o tempo suficiente pra que eu chegue em casa. Me sinto estranhamente isolada do mundo, e com um sentimento terrível de que isso vai afastar as pessoas de mim. Não quero ser uma pedra. Pedras não choram, e no momento esse é o meu único alívio. Me sinto sozinha, mesmo no meio de pessoas que eu amo.
Isso me sufoca. E eu não sei o que fazer.
Fevereiro 22, 2009
Bloco do Eu sozinho.
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