Hoje eu deitei num colchão estendido na grama aqui de casa e olhei pro céu. Não uma olhadinha rápida, daquelas que todo mundo dá todos os dias; fiquei uma hora, talvez até mais, hipnotizada pela fascinante imensidão negra acima de mim, com umas poucos estrelas aparecendo, como se tivessem sido coladas ao acaso.
E então eu comecei a pensar em como minha vida é uma bagunça sem fim. Cinco minutos antes de deitar nesse colchão eu estava rindo com um grupo de pessoas divertidas, e de repente a diversão acabou, pelo menos pra mim. Assim, do nada. O que mais me afligiu então, foi não saber sequer se a alegria dos momentos anteriores era real ou s´fachada, como todo o resto.
Aquelas pontinhos luminosos no céu, mesmo que poucos, costumam dar um pouco de vida às minhas noites. Mas dessa vez nem isso adiantou. Não sei se estou só cansada, esgotada de tudo, ou se a situação está tão crítica que eu nem ao menos me interesso mais pelo que antes me fazia tão bem.
É verdade que muita coisa mudou, tanto no exterior quanto dentro de mim, mas eu não imaginei que fosse tanto assim.
E então, quando um baita amigo deitou do meu lado, perguntou o que se passava, e eu não consegui responder, eu percebi que o meu eu antigo está morrendo. O pior de tudo é que eu nem ao menos sei se quero que ele morra. Mas talvez seja tarde demais pra salvá-lo; há casos em que até mesmo a medicina avançada diz “sinto muito”.
O que me resta? Esperar pelo que vai acontecer ou levantar e tentar ensinar minha voz a falar sobre mim?
Tenho impressão que não posso mais contar com uma ou duas estrelas pra trazer brilho ao meu coração.
Março 25, 2009
Quando nem mesmo as estrelas ajudam…
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