Acho que eu estou ficando velha. Minhas pernas doem como se eu tivesse levado alguns bons chutes, minhas costas reclamam o tempo todo, minhas articulações andam meio travadas e meu joelho… esse não tem mais jeito. Bom, pelo menos a visão ainda está ótima. O incrível é que apesar dessas dores naturais em senhoras de setenta anos, eu vou fazer apenas vinte. Duas décadas. Isso me faz parar pra pensar que provavelmente eu ainda não fiz nem metade do que gostaria de ter feito. Não me tornei uma pessoa melhor, não evolui em muita coisa e não consegui ser alguém especial.
É bem verdade que eu já realizei alguns sonhos, e não posso reclamar da minha vida. Porém, é difícil pensar nessas coisas boas quando eu vejo um futuro tão incerto à minha frente. Não estou feliz com a faculdade, logo eu, que sempre me realizo com coisas tão pequenas. Não consigo encontrar meu lugar, não consigo me dar bem em nada. Não sei mais como agir, o quefazer, que rumo tomar e pra onde ir. Pra dizer a verdade, estou desaprendendo até como sorrir.
Às vezes tenho lapsos de alegria, e então tudo parece mais simples. Nessas horas eu penso que estou complicando demais a minha vida, e que eu deveria simplesmente pegar mais leve. Mas depois eu vejo que não é bem assim. O que eu tenho tentado fazer é facilitar demais, mas a vida é extremamente difícil. Então lágrimas surgem, e voltam de onde vieram, porque eu tenho evitado deixá-las rolar. Um sorriso falso vem junto, pra tentar convencer.
Não digo que tudo seja ruim. Superei muitas coisas esse ano que me tornaram uma pessoa mais sossegada. Deixei pra trás coisas e pessoas que só me faziam mal, e que não me traziam absolutamente nada de bom, a não ser dias de choro. É fácil esquecer quando você bota na cabeça que é isso que quer fazer. Isso me alivia, ver como eu resolvi o que iria fazer e consegui atingir meu objetivo. Até me traz esperança de conseguir fazer isso em todos os aspectos da minha vida. Mas aí já se torna mais complicado, porque não se pode ter sucesso em tudo, certo?
Seja como for, não se pode evitar certas coisas. Eu tenho tentado evitar as tristezas, as decepções, mas ao mesmo tempo acabo perdendo os bons momentos e o que me faria feliz. Aliás, parece ser um dom meu, perder oportunidades de coisas que me trariam felicidade, nem que fosse por alguns minutos.
Afinal, pra quem já está na merda, dois minutos de alegria valem ouro.
Abril 18, 2009
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